![]() Negra do quilombola de Codó-MA
Naquele dia, 22 de outubro de 2025, o relógio da Catedral de Nossa Senhora dos Remédios, conhecida popularmente como a Igreja da Catedral marcava dezesseis horas. Sendo, portanto, uma igreja matriz da Diocese de Caxias, Estado do Maranhão. Dizia o falecido bispo Dom Luís Marelim que antigamente era uma capela dedicada exclusivamente à Nossa Senhora dos Remédios, padroeira do comércio e, após várias mudanças passou a ser a catedral da diocese. Renomada com valor histórico e religioso serviu de base e esconderijo dos revoltosos da Balaiada ou conhecida como guerra dos be-te-vis. Possui um relógio de bronze vindo da Europa na época em que passou a ser catedral.
Cansada e com uma bacia de alumínio, com bolos e cuscuz de arroz, ela sentava no banco da praça, orando para a Nossa Senhora dos Remédios, pleiteando inúmeras solicitações, além de pedir à Santa para que os homens deixassem ela viver em paz. Raimunda Maria de apenas quinze anos de idade, olhava e chorava diante da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e suas lágrimas marcavam o assento e o chão encimentado.
Após uns trinta minutos, além da oração, Raimunda Maria retira-se com a bacia de alumínio e sem vender nenhum dos produtos, rumando em direção ao centro comercial onde localiza o Armazém Paraíba e outras lojas na tentativa de vender. Ao subir as calçadas da Rua Afonso Pena, encontra o jovem Fábio, bem vestido, vistoso, olhos verdes, cabelos loiros e muito alegre. Ao ver a menina, procurou comprar seus bolos e pergunta pelo suco ou café.
Ela com muita satisfação diz:
_ Moço, eu não vendo café e nem suco. Mas o senhor pode se servir à vontade, comprando os bolos ou cuscuz?
O jovem todo radiante fala:
_ Eu já comprei quase a metade de tudo. Tem uma coisa. Eu não vou pagou hoje.
Raimunda Maria tenta se explicar.
_ Moço. Eu nem conheço o senhor? Eu não posso vender fiado para pagar depois.
Fábio responde angustiado:
_Negra, eu não vou pagar por que eu não quero. Você é uma negrinha saliente. Se eu ver você novamente vendendo. Eu tomo sua bandeja.
Raimunda Maria chorando, suplica:
_Pelo amor de Deus, me pague moço. Minha família vive nas esperanças das vendas diárias. Eu não sei o que irei falar. Por favor! Me pague moço.
Fábio irritado, lanço no solou da rua, os pacotes de bolos e cuscuz.
_Não me olhe assim. Eu não gosto de negra. A única coisa que sabe fazer é merda quando abre as pernas. Negra safada, cabelo de rolinha. Você só sabe é fazer merda por onde passa. A coisa mais errada que a princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi essa tal lei Áurea, declarando extinta a tua escravidão. Você vai ser sempre negra bosta de rolinha. Por onde você andar vai ser sempre negra. A princesa Isabel retirou a escravidão, porém, a sua cor permanecerá para toda a vida.
Raimunda Maria replica:
_ Gande besteira o senhor está falando. A nossa presidente Dilma Roussef alterou a lei do racismo, moco, sobre cotas, o presidente Sarney publicou e alterou a lei sobre o racismo e a Lei Afonso Arinos sobre o racismo e demais espécies.
Eu vou procurar meus direitos e dar a você uma resposta.
Vá logo negra safada. Você nunca vai ter a cor dos meus olhos e nem a cor da minha pele. Sabe por que? Você é negra.
Na verdade, as boleiras e cuscuszeiras que vendem seus produtos nas ruas e calçadas das cidades, elas desempenham um papel importante na sociedade: Apesar que muitas mulheres pertencentes aos variados espaços religiosos também sofrem grandes dificuldades e por demais violências, vítimas de uma regra racista e imoral.
Todavia, as batalhas arrostadas pelas mulheres negras ou pretas dilatam em parte o que as mulheres sofrem. Já as mulheres brancas enfrentam nesta questão social uma situação totalmente diferente. Sabe-se que antigamente, eram negados às mulheres negras empregos, assim, como eram difíceis se verificar na cidade uma grande loja de um homem negro. Isso não existe. Atualmente, podemos afirmar que a maioria das mulheres não possuem bons empregos como detêm as mulheres brancas, indo se esconder nos empregos domésticos sem anotação da CTPS.
Raimunda Maria ao procurar a Justiça de Caxias, Estado do Maranhão, esta reconheceu de imediato os direitos, tendo condenado Fábio nas cominações legais que o mesmo infringiu.
ERASMO SHALLKYTTON
Enviado por ERASMO SHALLKYTTON em 27/07/2025
Alterado em 28/07/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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