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Orfeu e Eurídice – Carnaval que não se acabou
Naquele dia, a folhinha pendurada na sala, marcava um dia chuvoso em 28 de fevereiro de 2025, aumentando a cor da sexta-feira. Bem ali, próximo do Sambódromo localizado na Praça da Apoteose, mais ou menos seiscentos metros fica o Morro da Mineira, no bairro Catumbi. Trata-se de uma favela de muitíssimas casas simples e humildes no centro do Rio de Janeiro. Como se sabe, o Morro da Mineira tem como homenagem a uma briosa e digna moradora do bairro que veio de Minas Gerais com o intuito de melhorar de vida no ano de 1950. Vê-se logo, que o Morro da Mineira é uma grande elevação de construções de casas naquele local, presente na Sapucaí.
Um certo dia, um rapaz franzino, moreno com 1,70 cm de altura, cabelo de rolinha, atendendo pelo nome de Orfeu, filho de Apolo e da musa Calíope da mitologia grega. Orfeu desempregado, encontrou um emprego de motorneiro na Estatal Central do Rio de Janeiro, para conduzir e guiar os bondes de Santa Teresa no horário das 8 horas às 17 horas, com a tarifa de 20,00 por pessoa. Ressalta-se que Bondinho de Santa Teresa, localizado no Rio de Janeiro, é um transporte histórico, atrativo e um ponto turístico popular que opera diariamente naquele local. O bilhete é válido para ida e volta e pode ser comprado na Estação Carioca, com opções de pagamento em dinheiro, cartão de crédito ou débito.
Foi a musa Calíope que ensinou o seu filho Orfeu a fazer poesia épica e falar bem com grande eloquência quando tinha apenas seis anos de idade. Já adulto e morando no Morro da Mineira, é o homem do mundo do samba. Um verdadeiro sambista que faz o Rio de Janeiro tremer por todos os lugares quando dança. Somente é na Mocidade Unida da Mineira, samba da raiz, nos dias de folga em que Orfeu se envolve no cotidiano do samba, conectando toda a ancestralidade da cultura brasileira e a corporeidade lançada no samba. Por justo motivo, o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Mocidade Unida da Mineira, mantém essa união do grande sambista Orfeu vestido em uma camisa vermelho e branco com o símbolo do Pégasus.
Em uma certa manhã de sol no centro da Mocidade Unida da Mineira, Orfeu estava cantando o samba da escola e dançando na quadra. Naquele momento, seus olhos cruzaram e pela primeira vez, Orfeu sentiu uma forte emoção por Eurídice. Eurídice era uma menina ninfa grega oriunda do Estado do Piauí, da cidade Campo Maior. Tendo a mesma deixado a sua terra natal por motivos de melhora de vida e partindo para o Rio de Janeiro. Sabe-se, entretanto, que Eurídice morava na mesma comunidade de Orfeu. Estando na quadra da escola, as luzes dos olhos verdes de Eurídice, faiscavam na direção de Orfeu, iluminando a mente e trazendo ao peito, o aperto que nunca sentiu.
Disse Orfeu, parando de cantar e dançar, o seguinte:
- O meu dia não se curvou, não demorou para encontrar a minha flor, Banhando a minha pele, enxugando todos os meus descasos, Eu rogo que você veja o brilho da noite entrando no dia, Que brama e sacode em mil jeitos a minha dor, dando-me amor, Diga-me o seu nome, onde moras, e vejas que o meu nome é Orfeu, Não me esqueça por favor, eu vou amar você seja aonde for, Tocando levemente com beijos suaves esses lábios da cor do mel.
Eurídice ouvindo a declamação do poema, respondeu:
-Eu nasci na cidade que tem a alcunha de Berço de Heróis, A guerra mais sangrenta antes da independência do Brasil, Na Batalha do Jenipapo onde se ouvia o choro dos combatentes, Descendo o Rio Jenipapo da Vila de Campo Maior no Piauí, Ainda com muitas foices, pedras e paus eram homens valentes, Sem qualquer armamento, jazia na terra e nas águas pura carnificina, Não importa o que vai acontecer, eu quero em minha vida ter apenas você.
Os dois almejando os olhares perdidos no sol da meia noite, apreciavam a única flor do amor, casando a união perfeita que respondia na altura das vozes. Entre mil abraços, os beijos aguçavam entre as tardes daquele dia.
Articulou Orfeu, o seguinte:
-Minha amada mulher, onde eu voar, eu levarei nas asas a sua alma, Assobiando entre as cores do arco-íris, é minha apreciada Eurídice, Na qual eu vou dançando e cantando na minha voz doce a sua apreciação, Cresce a voz dos Deuses entre todos os seres da terra e da lua crescente, Apura-me entre os lençóis da noite fria, enquanto for o dia nascente, Busca-me nas cores dos seus olhos garridos e me beija no abraço, Refugiando no bosque da vida o endereço completo do meu coração, Eu sempre amarei você entre as cordilheiras das minhas emoções, Ora cabíveis no sopro dos ventos do Piauí e marcado na Sapucaí, Por isso, eu amo você, eu quero você, por que eu sinto a sua chama, Ardente, aderente no ventre dos meus desejos, é semente para mim, No alvoroço do amor abrolha esta linha magia de flor do meu amor.
Eurídice declama versos de amor, respondendo:
-Meu único Orfeu! As horas não se reproduzem em nosso grandíssimo amor, E a vida germina e rebenta no ápice do nosso querer, irradiando o nosso beijo, E a cada dia me faz louca, subindo montanhas, deixando-me doida ou pirada, Eu não sei o que será de mim, sem a sua voz que clama e geme no meu peito, Orfeu! Ali tem um devastador, eu não sei o que tanto quer de mim, assim, Eu fico com medo e receio desse devastador ou avassalador querer me estuprar, Veja meu Orfeu. O homem destruidor me segue e jamais diz algo para mim, Eu tenho medo e temor desse arrasador que não fala nada, apenas faz aflição, Orfeu! Eu amo você. Não me deixe tão só no meio da chuva da devassidão, Eu vou chorar se você não chegar em nossa casa. Eu sou sua mulher do coração. Você é o único homem da minha vida e que me fez estremecer ao ver, Todas as luzes da gratidão vestido na camisa vermelho e branco, é minha afeição.
E no dia 28 de fevereiro de 2025, na sexta-feira de carnaval, Orfeu teve o prazer em levar pela primeira vez, Eurídice no Sambódromo, na praça da Apoteose. Ao ver o marido Orfeu na passarela, cantando e dançando na avenida do samba. Sem olhar para trás, Eurídice desceu as escadarias do Sambódromo, abraçando Orfeu em um gesto grandioso e amoroso, felicitando ao marido mais amor naquela adoração. Sem demora, e interrompendo a conversa, ela diz:
-Meu marido, esqueci de apagar o fogo do feijão na panela de pressão. Meu único Orfeu! Eu preciso desligar o fogão a gás. Eu esqueci da panela de pressão no fogo, mas não esqueci de você que é meu grande amor. Amor, eu vou correndo lá em casa e volto pelo mesmo caminho.
Sorrindo, Orfeu diz:
-Não tem problema. Eu espero você chegar.
No momento em que Eurídice foi em sua casa, desligar o fogo da panela de pressão. Surgiu de repente, o homem que persegue Eurídice. Observando o vulto do homem atrás, Eurídice saiu em desfilada carreira, procurando meios de se ver livre do homem devastador. Entrando na sua casa no Morro da Mineira, Eurídice foge do homem que imagina ser um estuprador. E naquele momento, Eurídice ao se aproximar e desligar o fogão a gás, a panela de feijão explodiu como se fosse uma grande bomba naquele local.
Com demora, Orfeu achou por bem ir na sua residência, uma vez que a esposa de Orfeu não voltou mais. Ao subir o Morro da Mineira, Orfeu viu o homem devastador sentado na porta da frente de sua casa. Ao abrir a porta da rua, teve uma grande surpresa. Articulando em voz alta o seguinte:
-Meu Deus! Meu único Deus da minha abençoada alma, Minha esposa não fala, não me abraça e não me beija, Oh meu Deus! O que ela fez para desagradar o seu paladar, Eu vejo nos meus braços a dor montanhosa sem alegria, Sem choro, sem lágrimas, sem sorriso e sem covardia, Chamem a SAMU e salva a vida briosa da minha mulher, Socorro! Doe a minha raiz da vida na minha cara metade, A minha lira não toca mais o sentido maior da existência, As lágrimas que caem dos meus olhos são tempestades, Que molham a minha face e derramam no chão amargo, Taças de vinho amargo não curam a dor e nem a agonia, Meu amor, meu único amor de toda a minha vida, Eurídice.
Orfeu falando com o tempo, dirigiu-se até a porta e observou o homem arrasador, e disse o seguinte:
-O que almejas da minha única mulher Eurídice?
Sem nada falar, o homem continuou sentado na porta do vizinho.
Não havendo resposta, Orfeu falou duramente com ele dizendo:
-Se a minha mulher deve algum dinheiro. Eu pago agora. E se a minha mulher não tem débito com você. Você me pagará agora. Por que eu sou Orfeu, rei do trovão e não tenho medo de ninguém.
Orfeu se dirigiu com as forças dos ventos, partindo em dois pedaços entre norte e sul. O homem avassalador levantou-se com uma pedra na mão, lançando contra a cabeça de Orfeu, que não pode se defender.
Uma voz saindo da cozinha, dizia em bom tom:
-Não vá meu amor Orfeu. Não vá ao inimigo.
Sem demora, a ambulância da SAMU, subiu o Morro da Mineira no bairro Catumbi, em alta velocidade e com as sirenes ligadas, ouvia-se Orfeu cantar as mais belas poesias para a sua encantadora musa Eurídice. Sua cabeça jazia em uma grande lagoa de sangue no meio da rua.
Orfeu assim cantava:
-Minha única Eurídice da minha eterna esperança, Eu canto e danço para você neste nosso carnaval, Vem menina de Campo Maior do grande Piauí, Vem rebolar nesta minha bonita chamada aqui, Eu sou somente seu amor que enriquece a flor, Que um dia eu cantei e sambei no meio do salão, E todo o meu amor é seu eternamente no céu, Amando entre beijos e abraços, és meu troféu.
ERASMO SHALLKYTTON
Enviado por ERASMO SHALLKYTTON em 26/08/2025
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