![]() Ana Jansen e a carruagem assombrada de São Luís
Nasceu em São Luis do Maranhão, uma mulher, conhecida como Ana Joaquina Jansen Pereira, conhecida como Donana por seus escravos, filha de Vicente Gomes de Lemos Albuquerque e Rosa Maria Jansen Müller, sendo esta filha de um comerciante holandês falido. Ana Jansen, foi uma grande empresária, política e proprietária de inúmeros imóveis. Ressalta-se que os avós de Ana Jansen eram descendentes de uma classe nobre europeia que chegou em São Luis, capital do Maranhão e Grão-Pará. Ana Jansen com pouca idade na adolescente ficou grávida, não assumindo o direito de pai no registro civil, o rapaz. Sabe-se que por muitos meses Ana Jansen escondeu a gravidez dos familiares, sendo descoberto e indagado sobre o suposto genitor. Ela se negou a falar quem era o pai da criança, além dos falatórios da sua mãe. Com a imposição realizada pelos familiares, o pai de Ana Jansen expulsou a menor de sua casa. Ana Jansen, desonrada, não era mais virgem, uma mãe solteira de um filho recém-nascido na casa de vizinhos.
O tempo se passou, e Ana Jansen conhece o amor de sua vida, o coronel Isidoro Rodrigues Pereira, de notável família e bastante rica na Província do Maranhão. Com o coronel, Ana Jansen teve seis filhos. Ocorre, que a mesma deixou de ser amante para ser esposa, em virtude da morte da esposa do coronel, traçando novos horizontes em sua vida.
Quando vivo o coronel, de imediato, cedeu uma casa para Ana Jansen morar com seu filho, apesar do preconceito de dar boa educação ao filho. Todavia, a conduta e todos os entraves percorriam a vida íntima de Ana Jansen. Naquela época, a situação melhora ao ser uma amante fiel do coronel, o que causa grande alvoroço na sociedade local. Após o falecimento da esposa do coronel. Ana Jansen casou-se e viveu apenas 15 anos com o rico coronel. Sendo certo, que após a morte do coronel, Ana Jansen alterou seu estatus social como a viúva mais rica do Maranhão com poderes extremos, além de possuir muitas terras, ser uma senhora legítima dona de escravos e líder política. O que chama a atenção de várias políticos e empresários como Rainha do Maranhão.
Importante ressaltar, que após a morte de Isidoro, Ana Jansen assumiu a Fazenda Santo Antônio, de propriedade do falecido coronel. Desta forma, ela triplicou a riqueza herdada. Concretizou como uma das maiores produtoras de algodão e cana-de-açúcar do Império, além de possuir o maior número de escravos da região. Exercendo uma demasiada e forte influência na vida social, administrativa e política da cidade. Ana Jansen realizava acordos dos negócios, mantinha a distribuição de água na cidade, apesar que o partido contrário dizia que Ana Jansen estava impedindo o poder público de ter a sua água com serviços modernos. Embora seja uma característica notável, Ana Jansen se sentia superior na resolução dos negócios, tanto é verdade, que solicitou ao monarca Dom Pedro II, o título de baronesa, sendo negado por este. Compreende-se que Ana Jansen queria ser a baronesa das terras da fazenda Santo Antonio. Como se sabe, muitas tropas de Duque de Caxias foram abastecidas por Ana Jansen à época da guerra da Balaiada. Uma aristocrata que viveu além do seu tempo, uma verdadeira mulher e bonita. Por traços dessa cobertura insaciável da sociedade da época. Donana sabia domesticar os parafusos oculares das mulheres, arruinando a vida de seus maridos.
No século 19, viveu em São Luís do Maranhão a Senhora Donana Jansen ou Dona Ana Joaquina Jânsen Pereira, a mesma cometia as mais violentas e bárbaras atrocidades contra inúmeros escravos. Notadamente, Ana Jansen submetia a toda sorte de suplícios e torturas com muitas sessões que terminavam com a morte dos escravos. Assim, todo tipo de atrocidade e brutalidade eram noites e noite de grandes castigos.
Não há como negar a existência de Ana Jansen, a Donana que influenciou e ofertou grandes arestas de sua sociedade aos povos até hoje existente. Naquela sexta-feira escura, as horas estavam à meia-noite quando se ouviu na rua do Giz, no coração da cidade uma carruagem com uma mulher bonita, e seu vestido rastejava no chão daquela província.
Um amigo marinheiro que bebia uma cachaça no bar, indagou:
—Por que chamam de Rua do Giz?
O dono do bar responde:
—Rapaz, chamam de Rua do Giz, porque era íngreme e muita escorregadia com ladeira feita de argila vinda do céu. É por isso que fizeram uma escadaria para acabar com esta dificuldade no trânsito.
Disse o cliente com o copo na mão direita:
—Roberto, dar uma olhada na minha cana no copo que eu vou observar que diabo é isso?
O homem, dono do bar responde:
—Pode ir com cuidado.
Roberto ao se aproximar da rua do Giz, observou a carruagem bonita, e indagou?
—Bom dia senhor? Não responde?
Roberto nervoso, perquire novamente.
—Não vai me responder? Parece que nem cabeça tem. Cabeça cortada e também dos cavalos. Se não respondem. Eu pergunto quem estar na carruagem?
Rapidamente Roberto se dirigiu até a carruagem e falou:
— A senhora não tem vergonha de andar com cocheiro sem cabeça?
A senhora abre a cortina da porta e diz:
— Me respeita cabra sem vergonha e sem futuro. Qual o nome dessa rua?
—É a famosa Rua do Giz, no centro da Capital Nacional do Reggae.
—Não me interessa essa rua. Rápido para a lagoa.
Era aproximadamente 01:00 hora da manhã, e a carruagem e o cocheiro com o chapéu curvado na frente faz uma manobra inusitada partindo para a Lagoa da Jansen.
Roberto vai em direção ao bar e fala com o atendente:
— Obrigado mano velho! Eu falei com Ana Jansen. Ela se zangou por que aqui é a rua do Giz. E foi embora para uma tal lagoa.
O atendente sorrindo diz:
— Ana Jansen foi para a Lagoa da Jansen. Uma lagoa que fica na Ponta da Areia e fede muito. É o lugar mais fedorento que eu já ouvi falar. Cuidado Roberto! Você teve sorte de Ana Jansen não mudar o seu sexo. Não me fale mais nessa mulher, por favor.
Roberto tomou o resto de cachaça no copo e foi embora. Distante daquele local, corria uma notícia que uma mulher muito mal, fazia sessões para o povo assistir, mesmo sem querer. Por malvadeza, olhava ao redor dos escravos e dizia:
— Hoje, o Pedro Simão me paga. Nunca mais ele vai tanger o gado para dentro das moitas de cana-de-açúcar e algodão. Julião, negro da escolta suja, pega dois paus grossos com dois metros de altura. Enterra eles em uma distância de três metros e coloca uma travessa no alto. Amarra os pés de Pedro Simão com a corda. Após isso, lança a corda por cima da travessa e puxa o negro Pedro Simão do chão de cabeça para baixo. Negra Julinha, trás o tacho de água fervente com as brasas. Faz uma pequena fogueira e coloca o tacho para ferver a água debaixo da travessa. Agora negra ruim, negra fela da puta. Tu vais passear entre rosas no meu jardim.
A escrava assustada, reclama para Ana Jansen, de imediato:
— Donana, o que é isso. Não faça isso com o Pedro Simão. Ele é inocente. Eu não sou isso. Ainda sou uma boa negra escrava. Não me maltrate, madrinha.
Ana Jansen com raiva, responde:
— Julinha, tu vai me pagar o que está me dizendo sua negra safada, bandida e falsa.
Em poucos instantes, Ana Jansen grita por seu escravo Humberto. Este responde e atende Ana Jansen, que ordena o seguinte:
—Negro Humberto, pega a minha carruagem agora e trás aonde eu estou.
Assumindo as ordens, o escravo Humberto chegou com a carruagem perante Ana Jansen, e disse:
— Aqui está Donana a sua carruagem.
Ela sorrindo diz:
— Como está bonita a minha carruagem. Eu quero que amarre as mãos da ingrata Julinha com uma corda e puxe a negra em uma corda amarrada em suas mãos com quatro metros de distância. Quero que faça isso agora, seu escroto da vida. E depois, vá dar umas voltas na fazenda com a Julinha amarrada na traseira e puxada pela carruagem. Não olhe para trás. Se olhar vai morrer na fogueira de brasa e fogo ardente. Leve a Julinha agora e faça tudo o que eu mandei. Agora seu imundo e escroto da vida.
Sem demora, Julinha lastima, gemendo por Ana Jansen, o seguinte:
— Madrinha! madrinha Donana não faça isso comigo. Não me leve arrastada na carruagem. Salve-me São Benedito! Madrinha do meu coração, não faça isso comigo e tenha gratidão. Por favor! Não me arraste no chão.
Com a ordem recebida, negro Humberto arrasta a negra Julinha entre as moitas de cana-de-açúcar, atravessando lagoas e riachos em uma velocidade nunca visto. O corpo da negra rolava entre as pedras e areias da fazenda Santo Antonio. Uma alma subia sem destino o grosso modo como Donana matava seus inimigos.
Após a carruagem retornar sem o corpo da negra Julinha, Ana Jansen continua o ritual macabro contra o escravo Pedro Simão. O tacho de metal estava com a água fervente com labaredas enormes entre as três pedras que sustentavam a grande panela. Momento em que Pedro Simão pendurado de cabeça para baixo, geme, lastima e grita por socorro.
— Meu Deus tenha pena de mim! Eu não fiz nada de errado. Donana me salva! Me livre desse castigo e dor. Ó meu Deus! Ajude-me! Comadre Matilde, me ajude! Fale com Donana. Eu dou a minha alma para me salvar.
Sem apelos, Donana ordena que puxe a corda e coloque a cabeça de Pedro Simão dentro do tacho fervente, onde a cabeça desaparece entre a água quente. E Ana Jansen indaga aos olheiros.
— Isso é apenas uma brincadeira da nossa noite. Se vocês quiserem, façam mais raiva para mim. Eu saberei dar uma suave resposta.
Sabe-se que no dia 11 de Abril de 1869 em São Luís, na Província do Maranhão, Ana Joaquina Jansen Pereira, a mulher mais rica e bonita do Maranhão, dona de milhares de escravos, Rainha do Maranhão, poderosa, grande empresária e política, faleceu. Sendo certo, que o seu corpo foi enterrado no interior de uma igreja onde havia um cemitério.
Após sua morte, a carruagem fantasmagórica de Ana Jansen percorre as ruas de São Luís nos dias de quinta para sexta-feira, entrando na Lagoa da Ana Jansen ao amanhecer o dia. Quem encontrar nas ruas de São Luís a carruagem em alta velocidade da Rainha do Maranhão. Tenha o máximo cuidado. Favor se esconder em qualquer lugar, tenha medo da carruagem maldita da Donana puxada por dois cavalos sem cabeça e o boleeiro com a cabeça decapitada. Suas maldades e atrocidades contra a vida dos escravos, realçava grandes brutalidades na dor, gemidos e na alma dos sofredores. E a alma penada de Donana percorria as ruas de São Luís com o intuito de se ver livre e ter uma alma abençoada, porém, a maldição caminhava em uma eternidade.
Apesar de ter quebrado vários paradigmas patriarcais da sociedade maranhense, Ana Jansen se transformou na mulher que viveu todos os tempos. Alterou a vida e rotina da mulher maranhense com base nas formalidades que advém com o tempo, bem como mostrou que a realidade fosse menos complexa.
Erasmo Shallkytton
Enviado por Erasmo Shallkytton em 29/08/2025
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